Isso me fez rir demais pela manhã.

Situação 1. O João entrou para a Life Essence Brasil; fez a adesão com o perfume de 50 reais (http://lifeessencebrasil.weebly.com/).

Comentário da família no primeiro dia.

O João está mexendo com esse negócio de pirâmide. É um vagabundo; ao invés de procurar um emprego, quer ganhar dinheiro fácil, com rede – balançando na rede. Agora, só fica no computador, enquanto a mulher fica dando duro, limpando a casa e fazendo comida; só ela trabalha. Disse que vai ganhar mais de 2.000 reais quando mudar para o nível 3, no mês que vem. Eu fico com medo de um dia dar polícia e ele ser preso. Além disso, pode ser mais um pobre na família. Ele investiu 50 reais. 50 reais! Ao invés de comprar um presente para a esposa, fica gastando dinheiro com pirâmide.

Comentário da família um ano depois.

Você viu o carro do João? Um Honda Civic zerado! E a mulher dele? Toda chique e perfumada. Quando chega aqui em casa, vai logo mostrando as fotos no tablet. Acho que ele tá mexendo com tráfico de drogas; não faz nada! E a mulher deve estar chifrando ele; só fica falando em viagens e ir embora do bairro. Outro dia, chegou um negão com um carro importado, e o João não estava em casa; o cara veio de Brasília. Não sei não! Ela disse que ele veio para fazer um evento na cidade. Eu posso bem imaginar que “ivento” é esse. É pouca vergonha!

Situação 2. Paulo compra um carrinho de ambulante 6 em 1 por 1.800 reais.

Comentário da família no primeiro dia.

Acho que agora o Paulo se apruma. Coitado; só tem o primeiro grau, não conseguia arranjar emprego. Aí, a mulher dele foi mandada embora do trabalho, pegou a rescisão, e agora eles estão bem. Estão pintando a casa, trocaram os móveis e cada filho tem um note book. Com o dinheiro que sobrou compraram um carrinho de cachorro-quente. Ontem ele veio aqui pedir um dinheiro pro pai para comprar os ingredientes para vender no carrinho. Ué! Mas e o dinheiro da rescisão? Foi pouco, mulher! Só deu para fazer o que falei. Eles estavam precisando, né! A casa estava há 3 anos sem uma reforma e o sofá já tinha um ano de comprado e só tinha um computador, para 2 adultos e 3 filhos; era uma briga constante. Uma família precisa de paz. Pelo menos agora, o Paulo tem como cuidar da família; o vagabundo agora é o João das Pirâmides.

Comentário da família três meses depois.

Ontem fiquei com uma peninha do Paulo; tá vendendo tudo. Acho que vai até se separar da  mulher. O que aconteceu? O pai conseguiu um empréstimo consignado para ele comprar um carro, para a mulher vender roupa nas feiras e ele não deu conta de pagar nem a primeira prestação; já atrasou 3. Adivinha o que aconteceu ontem! O carro foi roubado com todas as roupas! E hoje, o oficial de justiça veio pegar o carro, e nada. Mas e o carrinho de cachorro quente? Não deu certo não, mulher. Começou a época de chuva e o Paulo não podia sair todos os dias, estragava material e ele foi desanimando. Assim, quando o dia ficava bom, ele não tinha dinheiro para os ingredientes. Além disso, coitado, quando faturava alto, era assaltado. Acabou vendendo o carrinho por 500 reais, dividido em 2 vezes. Aí, veio a ideia da mulher vender roupas. Mas levou muito calote; quando ela não vendia fiado, as pessoas compravam em outro lugar. O jeito agora é orar.

Situação 3. A Selma aluga uma loja na avenida principal do Sol Nascente (Ceilândia/DF) por 500 reais, para vender roupa.

Comentário da família no primeiro dia.

Você viu, menina, a Selma? Está com uma loja na avenida. Você tem que ver que vestidos chiques. Como ela conseguiu o dinheiro para as roupas? Num precisa não, menina. Quem tem “estabelecimento comercial” é considerado uma pessoa séria; tem status. Os fornecedores deixam as mercadorias e levam cheques; nas datas marcadas eles descontam os cheques. Com o tempo, nem cheque precisa, porque eles deixam as roupas e depois vem cobrar. Isso sim é que é bom negócio; ter uma loja… Os clientes estão deixando ela tão animada que começou até vender fiado. Inclusive, eu vou lá hoje.

Comentário da família três meses depois.

Ontem, a Selma veio aqui para pedir um dinheiro emprestado. Prá que? Para comprar uma sandália nova. Ela arranjou um emprego em casa de família, lá em Águas Claras (DF); agora, tá de doméstica. Mas, e a loja? Ela não aguentou não. Os fiados, as trocas de roupas, o assalto pelo telhado e tinha alguns dias do mês que ela não abria; ficava em casa com dor de cabeça. Não deu mais para pagar o aluguel de 500 reais; o marido teve que tirar do salário dele todos os meses. Mas também, ela não precisava disso. O marido tira 2.000 reais com pedreiro; lugar de mulher é em casa.

Situação 4. Marcelo arranja um emprego, no Park Shopping/Brasília, de vendedor em uma loja de material de informática. É um emprego temporário de final de ano.

Comentário da família no primeiro dia.

Você viu? O Marcelo! Vai trabalhar no shopping! Tá chique o cara. Mas também, já era hora.  Depois de estudar 4 anos ciência da computação, pagando aquela mensalidade absurda e ficar 2 anos desempregado, tinha que acontecer alguma coisa.

Comentário da família um ano depois.

O Marcelo veio aqui ontem. Como ele está? Veio aqui só para mostrar o carro novo. Virou gerente, né? Pode financiar um automóvel; está pagando 900 reais em 60 vezes. Está muito feliz. E o curso superior não serviu de nada? Eu acho que sim; adquiriu conhecimento, e conhecimento ninguém tira da gente; e tem um diploma na parede – Cientista da Computação…  Mas ele entendeu que precisava também “adquirir” dinheiro, e não só conhecimento; e dinheiro se ganha com trabalho e não fazendo cursinhos. Agora, voltou a estudar para concurso, pagando do próprio bolso.

Deu para notar que o sucesso só veio depois de um ano e o fracasso veio mais rápido. Se você tiver outras histórias para compartilhar, de sucesso ou de fracasso, deixe seu comentário. Vídeos também são interessantes.

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Sobre Celso Silva

Meu nome é Celso Silva; nasci no Rio de Janeiro, em 24 de fevereiro de 1950. Aos 17 anos ingressei na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, São Paulo, e após 3 anos, fui para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Rio de Janeiro, formando-me em dezembro de 1973. Segui a carreira militar, passando para a reserva como coronel.
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