Massagem para o medo de dirigir

Massagem para o medo de dirigir

Confira os benefícios proporcionados pela quirofonética, tratamento que une massagem e fonemas

Texto: Adriana Bernardino Sharada

Fotos: Paula Korosue

(06-06-2011) – O carro é uma paixão nacional, certo? Meia verdade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, seis em cada dez brasileiros não são flechados pelo cupido motorizado; ao contrário, sofrem de um distúrbio cada vez mais comum: medo de dirigir. Para quem quer enfrentar o problema, há muitos tratamentos disponíveis, boa parte deles já testados pelo site WebMotors. Na última semana, conhecemos mais um, a quirofonética, e ficamos bem impressionados com os resultados. Confira o que a técnica tem de diferente.

UM CORPO QUE FALA

Respiração alterada, mãos geladas, frio na barriga. Se o medo afeta diretamente a respiração e o corpo, pode-se voltar à harmonia e ao equilíbrio pelo mesmo caminho: respiração e corpo. Esta é uma das ideias propostas pela quirofonética, terapia que combina massagem e a vocalização de fonemas para o tratamento de diversos distúrbios de comportamento, entre eles o medo de dirigir.

A técnica, já explorada por psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos, tem como base a medicina antroposófica, ciência espiritual que estuda o homem não apenas em seu desenvolvimento biológico, mas também emocional, além de considerar suas crenças e valores.

SOM EM MOVIMENTO

“A quirofonética usa a força curativa dos fonemas – vogais e consoantes –, que são a estrutura da fala do homem, e despertam a capacidade de reequilíbrio do organismo como um todo”, explica Ana Cristina Corvelo, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Quirofonética. Segundo ela, essa técnica terapêutica é resultado de um estudo fenomenológico dos fonemas, que leva em conta suas diversas características, desde a forma de articulação de cada um deles, as sensações que produzem em nós e os efeitos resultantes quando aplicados na forma de movimento corporal.

De acordo com Ana Cristina, nossas experiências, boas ou ruins, estão gravadas na mente e também no corpo, influenciando nossos pensamentos, sentimentos e vontade. Daí, a necessidade de se atuar também no corpo para o sucesso do tratamento do medo de dirigir. “Nossas dificuldades emocionais, que nos impedem de nos desenvolver integralmente, resultam em uma respiração presa, tensionada, em suspensão. É importante dar atenção a ela nos processos de cura. A fala humana é um fenômeno que só acontece porque respiramos. Na fala estão as imagens arquetípicas da contração e expansão, que podem e devem ser estimuladas se desejamos encontrar equilíbrio e cura”.

IDEIA QUE SUSTENTA O MEDO

Os sons, para a quirofonética, são como medicamentos. “Primeiro descobrimos que crenças estão sustentando a fobia ou o trauma de dirigir. Os fonemas são escolhidos de acordo com o diagnóstico de cada caso. O som, entretanto, não é usado isoladamente. “O terapeuta massageia o corpo do paciente, reproduzindo com as mãos o movimento fonético nas costas, nos braços ou nas pernas do paciente, ao mesmo tempo em que vocaliza o som do fonema. O tratamento atua sobre o tato, a audição, o calor e o movimento”, explica Ana Cristina.

Para o medo de dirigir, a técnica que usa o toque no processo de cura tem outra vantagem. “Quando sentimos muito medo não conseguimos mais distinguir o real do imaginário. A experiência sensorial ajuda nessa distinção. O paciente experimenta – pelo calor das mãos do terapeuta – o que é estar presente dentro dos limites da própria pele, que o mundo é verdadeiro”.

TEST-DRIVE

Convidamos Andréia Jodorovi, nossa cobaia em tratamentos do medo de dirigir, para mais essa experiência. Com boa parte de seu medo reduzido, mas ainda insegura para dirigir à noite ou em locais desconhecidos, Jodorovi topou conhecer o processo. Ela descreve a experiência:

Como não sabia em que estado sairia de sessão, preferi não ir ao consultório dirigindo. Ainda preciso de atenção completa ao volante. Depois descobri que foi a decisão mais acertada.

A primeira diferença da quirofonética para uma terapia convencional é que, depois de dizer meu problema à terapeuta, Ana Cristina, não precisei falar mais. O restante do tratamento foi feito em uma maca macia e confortável. Você é quem escolhe entre ficar de calça e camiseta ou em trajes de banho. No segundo caso – minha opção – há a vantagem de o terapeuta usar óleo essencial, o que torna a massagem mais relaxante.

No início, tudo é muito estranho. Nunca passei por um ritual xamânico, mas imagino que a experiência seja parecida. Minha sensação era de que Ana colocava a própria natureza no meu corpo.

Me esforcei para ficar acordada nos 40 minutos que se seguiram (espera-se que paciente fique desperto para que ele tenha consciência dos sons e possa imitá-los interiormente). Mas foi impossível escapar daquele estado bom que antecedo o sono, e em que memórias e imagens correm criativas e sem censura. Dos fonemas aplicados por ela, o que mais me tocou foi o som que, em minha interpretação, parecia de vento. Simultaneamente, ela deslizava as mãos pelas minhas costas em um movimento que me fez lembrar o ruflar de asas. Imediatamente, senti como se pudesse voar. A cada novo som e movimento, um sentimento novo era despertado.

No fim da seção, experimentei sensações paradoxais. Meia hora depois de sair da maca, ainda estava meio grogue; depois, passei quase duas horas agitada, como se quisesse pensar em tudo ao mesmo tempo. Finalmente, a sensação de relaxamento profundo predominou o resto da tarde.

Dois dias depois, comecei a sentir muita dor no ombro esquerdo, o mais trabalhado pela Ana Cristina. Foi um dia inteiro com o incômodo. Quando a dor passou, porém, ficou quase uma coragem, um destemor, não apenas para dirigir, mas para viver também.

Parece até uma descrição matemática para um tratamento aparentemente subjetivo. Depois de experimentar tantas técnicas, entretanto, posso garantir que os resultados são profundamente perceptíveis. Coincidência ou não, na semana seguinte, pela primeira vez, tive coragem de pegar o carro à noite e ir à aula de inglês sem, previamente, saber onde estacionar (quem tem medo de dirigir sabe o que isso significa).

Coincidência ou não, repito, depois desse fato não tenho evitado nenhuma experiência com o carro. Uma única seção provocou tudo isso? Não sei. Talvez você possa tentar, quem sabe também o som dos motores entrem na sua vida de maneira curadora. 

QUIROFONÉTICA

Quem pode fazer: de crianças a idosos
Quem não pode: gestantes, pacientes psiquiátricos em crise, pessoas com cirurgia recente, febre ou processos inflamatórios.
Preço: a partir de R$ 180 cada seção.
Onde: veja endereços em http://www.sab.org.br/med-terap/quiro/

Confira mais reportagens sobre saúde, equilíbrio e bem-estar no trânsito em Atrás do Volante.

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Sobre Celso Silva

Meu nome é Celso Silva; nasci no Rio de Janeiro, em 24 de fevereiro de 1950. Aos 17 anos ingressei na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, São Paulo, e após 3 anos, fui para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Rio de Janeiro, formando-me em dezembro de 1973. Segui a carreira militar, passando para a reserva como coronel.
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